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Triagem ROP em Prematuros: quando e como é feito

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Imagine receber a notícia de que seu bebê, nascido prematuramente, precisa passar por um exame nos olhos ainda na UTI neonatal. Para muitas famílias, esse momento chega sem aviso e carregado de dúvidas: por que os olhos de um recém-nascido precisam ser examinados com tanta urgência? A resposta está em uma condição chamada retinopatia da prematuridade — a ROP —, que pode comprometer definitivamente a visão de um bebê se não for detectada e tratada no momento certo. Em minha prática como especialista em retina, vejo com frequência pais que chegam à consulta sem ter recebido nenhuma explicação clara sobre esse processo.

Neste post, você vai entender exatamente o que é a triagem ROP no prematuro, quais bebês precisam ser rastreados, como o exame é realizado na prática e o que acontece se alguma alteração for encontrada. Se você é pai, mãe, familiar ou profissional de saúde que acompanha bebês prematuros, ler até o final pode fazer uma diferença real na vida de uma criança.

Por que o olho do prematuro é tão vulnerável

A retina — camada sensível à luz no fundo do olho — completa seu desenvolvimento vascular apenas por volta da 40ª semana de gestação, ou seja, próximo ao termo. Quando um bebê nasce prematuro, essa vascularização ainda está incompleta. Fora do útero, fatores como uso de oxigênio suplementar, instabilidade hemodinâmica e estímulos de luz intensa podem desencadear um crescimento anormal e desorganizado dos vasos da retina. Esse processo é a ROP. Em casos mais graves, pode levar ao descolamento de retina e à cegueira permanente — um desfecho que, com rastreamento adequado, é em grande parte evitável.

Quem deve ser rastreado: os critérios da triagem ROP

No Brasil, as diretrizes do Ministério da Saúde e das sociedades oftalmológicas definem com clareza quais recém-nascidos precisam entrar no protocolo de triagem ROP. Em minha experiência clínica, ainda há serviços que desconhecem esses critérios com precisão, o que gera falhas no rastreamento.

Os critérios principais para indicação do exame são:

  • Idade gestacional ao nascer igual ou inferior a 32 semanas
  • Peso ao nascer igual ou inferior a 1.500 gramas
  • Prematuros entre 32 e 36 semanas com evolução clínica instável — como sepse, uso prolongado de oxigênio, transfusões ou outras intercorrências graves — a critério do neonatologista

Esses parâmetros existem porque o risco de ROP clinicamente significativa cresce de forma expressiva quanto menor for a idade gestacional e o peso de nascimento. Bebês com 28 semanas ou menos são os de maior risco e exigem monitoramento ainda mais rigoroso.

Quando o primeiro exame deve ser realizado

O timing do exame é tão importante quanto o exame em si. Realizá-lo cedo demais pode não mostrar alterações ainda presentes; tarde demais pode perder a janela terapêutica. A recomendação atual, baseada em evidências internacionais, é:

  • Para bebês com idade gestacional ao nascer de 27 semanas ou menos: primeiro exame na 31ª semana de idade pós-menstrual
  • Para bebês com 28 semanas ou mais: primeiro exame 4 semanas após o nascimento

A idade pós-menstrual — soma da idade gestacional ao nascer com as semanas de vida — é o parâmetro mais confiável para o agendamento. Na prática, o oftalmologista e o neonatologista devem trabalhar de forma integrada para garantir que nenhum bebê elegível fique sem rastreamento.

Como o exame é feito na prática

Esse é um ponto que gera muita ansiedade nas famílias. O exame de mapeamento de retina em prematuros é realizado pelo oftalmologista diretamente na UTI neonatal ou em sala adequada, com o bebê ainda internado. O procedimento envolve algumas etapas que vale conhecer:

  • Dilatação pupilar: colírios midriáticos são instilados nos olhos do bebê cerca de 40 a 60 minutos antes do exame para ampliar a pupila.
  • Uso de blefarostato pediátrico: um pequeno instrumento mantém as pálpebras abertas durante o exame — desconfortável, mas seguro e de curta duração.
  • Indentação escleral: em alguns casos, uma pequena sonda é usada sobre o olho (sobre anestesia tópica) para visualizar a periferia da retina, região onde a ROP se inicia.
  • Oftalmoscopia binocular indireta ou retinografia wide-field: o médico examina toda a retina com lentes específicas ou, em centros mais equipados, com câmeras de grande angular adaptadas para neonatos.

O exame dura, em média, de 5 a 10 minutos por olho. Pode haver choro e desconforto temporário, mas complicações sérias são raras quando realizado por profissional experiente. Em minha prática, procuro sempre conversar com a família antes do procedimento para que o momento seja menos angustiante.

O que acontece se for encontrada alguma alteração

A ROP é classificada em estágios (1 a 5) e zonas (I, II e III), além de uma forma agressiva chamada ROP posterior agressiva. Nem toda ROP precisa de tratamento — muitos casos regridem espontaneamente. A decisão de tratar depende da combinação de estágio, zona e presença de doença plus (dilatação e tortuosidade vascular, sinal de atividade da doença).

Quando o tratamento é necessário, as principais opções são:

  • Laser de d: fotocoagulação da retina avascular, padrão-ouro por décadas
  • Injeção intravítrea de anti-VEGF (como bevacizumabe ou ranibizumabe): especialmente útil em ROP de zona I ou doença plus agressiva, por atingir regiões de difícil acesso ao laser

A escolha entre as modalidades depende das características clínicas de cada caso. Após o tratamento, o seguimento oftalmológico continua sendo essencial, pois crianças ex-prematuras têm risco aumentado de miopia, estrabismo, ambliopia e outras condições — temas que abordo em detalhes em posts como o sobre sinais de catarata e retinopatia diabética, condições que também exigem rastreamento sistemático ao longo da vida.

O papel da família no rastreamento

Pais e cuidadores são peça fundamental nesse processo. Manter o calendário de exames atualizado, comunicar ao pediatra qualquer histórico de prematuridade e não interromper o seguimento mesmo após a alta hospitalar são atitudes que protegem a visão da criança a longo prazo. Uma família bem informada é, na minha visão, o melhor aliado do oftalmologista.

Se seu filho nasceu prematuro e você ainda tem dúvidas sobre se o rastreamento foi feito corretamente — ou se quer entender os resultados dos exames já realizados — estou à disposição para uma avaliação detalhada. Na consulta, revisamos todo o histórico, realizamos o exame de fundo de olho quando indicado e discutimos o plano de acompanhamento personalizado. Entre em contato diretamente pelo WhatsApp: https://wa.me/5511991977234.

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